A SALSIANO Company, fundada por Râmires Salsiano, realiza projetos no formato Screen Book de livros e documentos para leitura multimodal e sensorial, promovendo acessibilidade através um acervo inclusivo para pessoas com deficiência, tendo como público-alvo pessoas surdas, pessoas cegas, pessoas com TDAH e pessoas com Autismo. De modo esse público tenha acesso direto a materiais prontos com conteúdos culturais, sociais e científicos para uma inclusão mais abrangente e igualitária.
No cenário que inspirou a criação do Screen Book, início do ano 2010, o mercado editorial passava por uma transformação digital acelerada. Os e-books ganhavam popularidade, mas ainda eram majoritariamente versões estáticas de livros impressos, sem acessibilidade ou recursos multimodais. Paralelamente, no Brasil, milhões de pessoas com deficiências (auditiva, visual e intelectual) ou transtornos de aprendizagem (como TDAH e Autismo) enfrentavam barreiras diárias para acessar conhecimento e terem material de estudo prontos, para concretizar a aprendizagem.
Foi nesse contexto que Ramires Salsiano, um consultor e educador brasileiro com mais de 15 anos de experiência em treinamento corporativo e ensino acadêmico, percebeu uma lacuna crítica: não existia um formato de livro verdadeiramente inclusivo, que combinasse texto, áudio, imagens e LIBRAS de forma integra e estratégica.
A experiência pessoal que acendeu a centelha foi em um insight definitivo, que veio de uma experiência real. Enquanto ministrava um treinamento em uma grande empresa, Râmires Salsiano notou que uma participante surda dependia exclusivamente de um intérprete de LIBRAS para acompanhar o material didático. Em outra ocasião, ao trabalhar com uma criança autista em um projeto educacional, percebeu como recursos visuais e sonoros poderiam melhorar drasticamente seu engajamento.
Em 2012, começou o desenvolvimento do que seria o primeiro Screen Book. Os principais desafios foram:
1. Tecnológicos – Como integrar narração, legendas, LIBRAS e ilustrações sem sobrecarregar o usuário?
2. Pedagógicos – Garantir que o formato não fosse apenas acessível, mas também eficaz para a consolidação do aprendizado.
3. Mercadológicos – Convencer o mercado de que um "livro para ser assistido" teria demanda.
O protótipo inicial foi testado com:
• Crianças e adolescentes com dislexia;
• Adultos surdos e cegos;
• Universitários e funcionários com TDAH.
Em agosto de 2014, durante a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, o Screen Book foi oficialmente lançado como o primeiro Livro Inclusivo Digital do Brasil. A obra escolhida para a estreia foi “O Legado de Autossuperação”, um romance de empreendedorismo que demonstrava todo o potencial do formato:
• Narração profissional (com opção de velocidade ajustável).
• Ilustrações estáticas e animadas que complementavam a narrativa.
• Interpretação em LIBRAS integrada à tela.
• Legendas e opções de contraste para baixa visão.
A repercussão foi imediata:
• Matérias na imprensa (como Rádio, TV e blogs especializados);
• Interesse em adaptar livros e documentos para o formato.
• Demanda de instituições de ensino e empresas por versões didáticas.
O Screen Book não nasceu apenas como uma tecnologia, mas como um movimento por equidade no acesso ao conhecimento. Seus pilares são:
• Universalidade – Funciona para públicos diversos (de crianças a adultos, em contextos educacionais ou corporativos);
• Flexibilidade – Cada usuário escolhe como quer "ler" (áudio, texto, LIBRAS ou combinações);
• Respeito à neurodiversidade – Não força um único modo de consumo, adaptando-se às necessidades individuais.
Portanto, uma ideia que mudou paradigmas, o Screen Book surgiu da percepção de que ler não é apenas decodificar letras, mas sim experienciar histórias e ideias. Sua criação mostrou que a tecnologia, quando aliada à empatia, pode romper barreiras que pareciam intransponíveis.
Na próxima década, essa inovação continuará a evoluir, mas seu legado já está escrito: provar que o conhecimento pode (e deve) ser acessível a todos prontamente, sem exceção.
Enfim, o depoimento da primeira usuária resume bem todo o nosso propósito:
"Eu nunca tinha conseguido 'ler' um livro inteiro antes. Com o Screen Book, finalmente entendi o que era se emocionar com uma história."


